Montar um marketplace próprio deixou de ser sonho de gigante da internet. Hoje, qualquer varejista de médio porte, associação de lojistas, indústria ou até um e-commerce já consolidado pode transformar sua vitrine em uma plataforma onde terceiros vendem — e você recebe uma comissão sobre cada pedido. É um modelo de negócio elegante: você deixa de carregar todo o estoque, todo o capital de giro e todo o risco, e passa a ganhar por intermediar a transação entre vendedor e comprador.
Só que "criar um marketplace" é uma frase que esconde uma engenharia considerável por baixo. Não é só colocar um botão de "seja um vendedor" no site. Você precisa de onboarding de sellers, um painel para cada vendedor gerenciar produtos e pedidos, split de pagamento automático (o dinheiro precisa se dividir entre você e o lojista sem intervenção manual), curadoria de catálogo, política de fretes por vendedor, gestão de comissões, notas fiscais, repasses, SLA de entrega e um monte de regras de negócio que definem se o seu marketplace vira uma máquina de crescer ou um pesadelo operacional.
Neste guia, vou destrinchar como construir um marketplace próprio usando o Magento 2 — que é a mesma plataforma comercializada pela Adobe como Adobe Commerce — e como estruturar a monetização por comissão de forma que faça sentido financeiro desde o primeiro mês. Vou falar de arquitetura, de split de pagamento no cenário brasileiro, de curadoria, de logística e dos erros que fazem projetos de marketplace naufragarem. Se você está avaliando entrar nesse jogo, este texto é o mapa.
O que é, de fato, um marketplace (e por que o modelo é tão atraente)
Um marketplace é uma plataforma de e-commerce onde múltiplos vendedores independentes — os sellers — oferecem seus produtos dentro de uma mesma vitrine, sob uma marca única. O comprador entra, navega, adiciona itens de vendedores diferentes no mesmo carrinho e paga uma vez só. Nos bastidores, cada item é roteado para o seller responsável, que embala e envia. O operador do marketplace fica com uma fatia de cada venda — a comissão.
A diferença fundamental para um e-commerce tradicional é o dono do estoque. No e-commerce clássico, você compra mercadoria, guarda em um centro de distribuição, imobiliza capital e assume o risco de encalhe. No marketplace, o estoque é dos sellers. Você monetiza o tráfego, a experiência de compra e a confiança da sua marca, sem imobilizar dinheiro em produto.
Existem alguns formatos:
- Marketplace puro (3P): todos os produtos são de terceiros. Você é apenas o intermediário. É o modelo da maioria dos grandes shoppings virtuais.
- Marketplace híbrido (1P + 3P): você vende seu próprio estoque (1P) e também abre a plataforma para terceiros (3P). Ótimo para quem já tem um e-commerce e quer expandir catálogo sem comprar mais mercadoria.
- Marketplace de nicho: foco em uma categoria (moda sustentável, autopeças, produtos regionais, artesanato). Curadoria forte e público segmentado — costuma converter melhor do que generalistas.
- Marketplace de serviços: em vez de produtos físicos, você intermedia serviços (aulas, consultorias, agendamentos). Muda a lógica de logística, mas o split de pagamento e a comissão continuam iguais.
O modelo híbrido é o caminho mais comum para quem já opera uma loja virtual em Magento 2. Você aproveita o catálogo próprio como âncora de credibilidade e vai abrindo espaço para sellers complementarem o sortimento.
Por que o Magento 2 é uma base sólida para marketplace
O Magento nasceu como plataforma de e-commerce de catálogo único, mas sua arquitetura modular o torna uma das melhores fundações para virar marketplace. Vale reforçar: Magento 2 e Adobe Commerce são o mesmo núcleo tecnológico — a Adobe comprou a Magento em 2018 e hoje oferece a versão Open Source (gratuita) e a versão Adobe Commerce (paga, com recursos enterprise). Ambas suportam a transformação em marketplace via extensões e desenvolvimento sob medida.
Os motivos técnicos que fazem do Magento uma boa escolha:
Catálogo robusto e flexível. O Magento lida nativamente com produtos configuráveis, agrupados, virtuais, com atributos customizados e conjuntos de atributos por categoria. Num marketplace, cada seller pode ter necessidades distintas de cadastro — o modelo de atributos do Magento absorve isso bem.
Multiestoque nativo (MSI). O Multi-Source Inventory permite associar diferentes fontes de estoque a diferentes vendedores e locais físicos. Isso é a espinha dorsal de um marketplace: cada seller tem sua própria fonte de estoque, e o Magento sabe de onde cada item deve sair.
Arquitetura de módulos. Você adiciona a camada de marketplace (painel do seller, split, comissões) como módulos sem reescrever o core. Isso protege sua capacidade de atualizar a plataforma no futuro.
API-first. O Magento expõe REST e GraphQL, o que facilita integrar ERPs, gateways de pagamento com split, transportadoras e apps de seller.
Escalabilidade. Com Varnish, Elasticsearch/OpenSearch, Redis e uma boa infraestrutura, o Magento aguenta catálogos com centenas de milhares de SKUs e picos de tráfego — algo que um marketplace de sucesso inevitavelmente vai enfrentar.
Existem extensões consagradas de marketplace para Magento (soluções de mercado que adicionam a camada multi-seller). Elas resolvem 70% do caminho: painel do vendedor, cadastro de produtos por seller, gestão de pedidos segmentada. Os outros 30% — split de pagamento no padrão brasileiro, regras de comissão específicas do seu negócio, integração fiscal — quase sempre exigem desenvolvimento sob medida. É aí que um parceiro especialista faz diferença. Se você quer acelerar a saída, vale conhecer o Magento Express, que encurta o tempo de colocar uma base sólida no ar antes de partir para a camada de marketplace.
Onboarding de sellers: o coração operacional
Um marketplace vive ou morre pela qualidade dos seus vendedores. O processo de onboarding — como um novo seller entra, é aprovado e começa a vender — precisa ser desenhado com cuidado. Um onboarding frouxo enche a plataforma de vendedores ruins que geram reclamações e destroem a reputação da sua marca. Um onboarding excessivamente burocrático espanta bons sellers.
As etapas de um onboarding saudável
Cadastro e qualificação. O seller preenche dados da empresa (CNPJ, razão social, endereço), aceita os termos de uso e envia documentação. Aqui você já filtra: valida o CNPJ, checa situação fiscal, avalia se o segmento faz sentido para o seu marketplace.
Análise e aprovação. Um time (ou um fluxo semi-automatizado) revisa o cadastro. Nesta etapa entra a curadoria inicial: o mix de produtos do seller combina com o posicionamento do marketplace? A capacidade de entrega é adequada?
Configuração da conta de recebimento. Para o split de pagamento funcionar, cada seller precisa ter uma conta ou subconta no gateway/adquirente que você usa. Esse é um passo técnico crítico — sem ele, não há como repassar o dinheiro automaticamente.
Cadastro de produtos. O seller entra no painel e cadastra seus SKUs, com fotos, descrições, preços e estoque. Você pode oferecer importação via planilha ou API para sellers com catálogo grande.
Revisão de catálogo (curadoria). Antes de os produtos irem ao ar, um fluxo de aprovação valida qualidade de fotos, descrições, categorização e conformidade. Isso protege a experiência do comprador.
Publicação e primeira venda. Produtos aprovados vão para a vitrine. O seller passa a receber pedidos, e o ciclo operacional começa.
Automatizar o máximo possível desse fluxo é onde a tecnologia realmente paga. Validação de CNPJ, checagem de documentos, triagem inicial de catálogo por IA (identificando fotos de baixa qualidade ou descrições incompletas) — tudo isso reduz o custo por seller onboardado e acelera o crescimento. É exatamente o tipo de gargalo que as automações de IA atacam: transformar um processo manual e lento em um pipeline que escala sem inflar o time.
O painel do seller
Cada vendedor precisa de uma área própria onde gerencia seu negócio dentro do seu marketplace. As funcionalidades mínimas de um bom painel de seller:
- Cadastro e edição de produtos (com controle de status de aprovação)
- Gestão de estoque por SKU
- Lista de pedidos recebidos, com status
- Emissão ou upload de etiquetas de envio
- Atualização de status de envio e código de rastreio
- Painel financeiro: vendas, comissões descontadas, valor a receber, histórico de repasses
- Relatórios de desempenho (produtos mais vendidos, taxa de conversão, avaliações)
- Central de mensagens com o comprador e com a operação do marketplace
No Magento, esse painel é construído como uma extensão da área administrativa ou como um portal separado consumindo a API. A escolha depende do volume de sellers e do nível de personalização desejado.
Split de pagamento: como o dinheiro se divide (no cenário brasileiro)
Este é o ponto mais delicado e mais brasileiro de todos. Split de pagamento é o mecanismo que, no momento em que o comprador paga, divide automaticamente o valor entre o marketplace (comissão) e o seller (repasse), respeitando regras fiscais e prazos de liquidação.
Sem split automático, você teria que receber o valor total, controlar manualmente quanto pertence a cada seller e fazer transferências uma a uma — inviável a partir de algumas dezenas de vendedores.
Como o split funciona na prática
Quando um pedido de R$ 200 é pago e a comissão do marketplace é de 15%, o split precisa garantir que:
- R$ 30 (15%) fiquem retidos para o marketplace
- R$ 170 sejam creditados na conta do seller
- Taxas de gateway/adquirente sejam descontadas conforme o contrato (às vezes do marketplace, às vezes rateadas)
- O prazo de liquidação (D+1, D+2, D+30 no cartão parcelado) seja respeitado para cada parte
No Brasil, o split é oferecido por gateways e adquirentes que suportam o modelo marketplace/plataforma. Os principais players do mercado de pagamentos têm APIs de split que permitem criar recebedores (os sellers), definir percentuais ou valores fixos de divisão e liquidar automaticamente. A integração desses gateways ao Magento é feita por módulos de pagamento específicos.
Pontos de atenção fiscais e regulatórios
- Antecipação e parcelamento. Se o comprador parcela no cartão, o seller normalmente recebe conforme as parcelas caem, a menos que haja antecipação (com custo). Definir quem paga a antecipação é decisão de negócio.
- Retenção de comissão. A comissão do marketplace precisa ser tratada corretamente na contabilidade — é receita de serviço/intermediação, não de venda de mercadoria.
- Nota fiscal. No marketplace, quem emite a nota da mercadoria é o seller (ele é o vendedor de fato). O marketplace emite nota da comissão como serviço prestado ao seller. Esse duplo fluxo fiscal precisa estar redondo.
- Chargebacks e estornos. Se o comprador contesta a compra, quem arca? O contrato com o seller precisa definir a responsabilidade e o mecanismo de retenção de reserva para cobrir estornos.
Essa engenharia de pagamento é onde mais vejo projetos de marketplace tropeçarem. Não é algo para improvisar. Um parceiro que já implementou split no Magento economiza meses de retrabalho e evita passivos fiscais. Se você quiser discutir a arquitetura de pagamento do seu caso, é possível pedir um orçamento e mapear o gateway certo para o seu volume.
Modelos de comissão: como precificar a intermediação
A comissão é como o marketplace ganha dinheiro. Definir a estrutura de comissão certa é uma decisão estratégica que afeta diretamente a atratividade para sellers e a saúde financeira do negócio.
Principais modelos
| Modelo | Como funciona | Melhor para |
|---|---|---|
| Comissão por venda (%) | Percentual fixo sobre cada pedido | Modelo padrão, simples de comunicar |
| Comissão por categoria | Percentuais diferentes por tipo de produto | Categorias com margens muito distintas |
| Comissão + taxa fixa | Percentual + valor fixo por pedido | Cobrir custo operacional de pedidos de baixo ticket |
| Mensalidade + comissão reduzida | Seller paga assinatura e comissão menor | Sellers de alto volume |
| Comissão escalonada | Percentual cai conforme o seller vende mais | Incentivar crescimento do seller |
| Tarifa por listagem | Cobrança por produto anunciado | Nichos com produtos de alto valor |
O modelo mais comum é o percentual por venda, muitas vezes variando por categoria (eletrônicos têm margem menor, então comissão menor; acessórios têm margem maior, comissão maior). A faixa de comissão de marketplaces varia bastante conforme o segmento e o valor agregado que a plataforma oferece.
Como calibrar a comissão
A comissão precisa cobrir seus custos e gerar lucro, mas sem tornar o marketplace inviável para o seller. Considere:
- Custo de aquisição de tráfego. Você investe em marketing para trazer compradores. A comissão precisa amortizar esse custo.
- Custo operacional. Suporte, gestão de sellers, infraestrutura, gateway.
- Margem do seller. Se a comissão come toda a margem dele, ele sai ou aumenta o preço (e você perde competitividade).
- Valor percebido. Quanto mais tráfego qualificado e conversão você entrega, mais comissão o seller aceita pagar.
Um erro comum é começar com comissão baixa demais para atrair sellers e nunca conseguir subir depois. Melhor começar com um valor sustentável e oferecer benefícios (destaque, campanhas, crédito) para os sellers que performam.
Curadoria: o que separa um marketplace premium de um bazar caótico
Curadoria é o processo de decidir quem vende, o que vende e com que qualidade. É o que define a percepção da sua marca. Um marketplace sem curadoria vira um depósito de anúncios ruins, produtos duplicados, fotos horríveis e descrições copiadas — e o comprador foge.
Camadas de curadoria
Curadoria de sellers. Nem todo vendedor deve entrar. Avalie reputação, capacidade de entrega, adequação ao posicionamento. Um marketplace de moda premium não quer sellers de produtos genéricos importados sem procedência.
Curadoria de catálogo. Cada produto passa por revisão antes de publicar. Critérios típicos:
- Qualidade das fotos (fundo, resolução, ângulos)
- Descrição completa e sem erros
- Categorização correta
- Preço coerente (evitar preços absurdos ou golpes)
- Conformidade legal (produtos proibidos, restrições)
Curadoria contínua. Depois de publicado, o desempenho é monitorado. Sellers com muitas reclamações, atrasos ou avaliações ruins entram em planos de melhoria ou são suspensos.
A curadoria manual não escala. Quando o marketplace cresce, você precisa de automação. IA para detectar fotos de baixa qualidade, descrições duplicadas, categorização errada e até precificação suspeita. Modelos de linguagem podem revisar milhares de descrições e sinalizar as que precisam de atenção humana. Esse é um caso de uso maduro para automações de IA aplicadas ao e-commerce, liberando o time de curadoria para focar nos casos que realmente exigem julgamento.
Logística: o desafio dos múltiplos vendedores
Logística em marketplace é ordens de magnitude mais complexa que em e-commerce tradicional. No e-commerce próprio, tudo sai do seu centro de distribuição. No marketplace, cada pedido pode conter itens de vários sellers, cada um em uma cidade diferente, com prazos e transportadoras diferentes.
Modelos logísticos
Envio pelo seller (dropshipping do vendedor). Cada seller embala e envia seus próprios produtos. É o modelo mais simples de começar, mas o mais difícil de controlar qualidade e prazo. Você depende da eficiência de cada vendedor.
Fulfillment pelo marketplace. O marketplace opera um centro de distribuição, os sellers enviam estoque para lá, e o marketplace embala e despacha. Dá controle total sobre experiência e prazo, mas exige capital e operação logística — é um negócio dentro do negócio.
Modelo híbrido. Sellers grandes usam fulfillment do marketplace; sellers pequenos enviam por conta própria. Flexível, mas complexo de gerir.
O carrinho multi-seller
Do ponto de vista do comprador, ele quer um carrinho único e um frete claro. Nos bastidores, o Magento precisa:
- Calcular frete por seller (cada um tem origem e política de envio diferentes)
- Consolidar ou separar os fretes na visão do comprador
- Dividir o pedido em sub-pedidos por seller para roteamento
- Rastrear cada sub-pedido separadamente
- Reconciliar entregas parciais (um item chega hoje, outro amanhã)
A cotação de frete integrada com transportadoras (Correios, transportadoras privadas, gateways de frete) por origem de seller é um dos desenvolvimentos mais trabalhosos do projeto. Vale planejar bem a integração de frete desde o início, porque frete errado destrói margem e gera reclamação.
Prazo e SLA
Defina SLAs claros de manuseio (quanto tempo o seller tem para despachar) e penalize atrasos. Compradores julgam o marketplace inteiro pela pior entrega que receberam — mesmo que a culpa seja de um seller específico. Monitorar o SLA e agir sobre sellers problemáticos é parte da gestão contínua.
Arquitetura técnica: montando o marketplace sobre o Magento
Do ponto de vista de engenharia, o marketplace sobre Magento tem estas camadas:
- Core Magento 2 / Adobe Commerce — catálogo, checkout, gestão de pedidos, MSI para estoque multi-fonte.
- Camada de marketplace — extensão que adiciona conceito de seller, painel do vendedor, atribuição de produtos e pedidos a sellers, gestão de comissões.
- Camada de pagamento com split — módulo de integração com gateway/adquirente que suporta recebedores e divisão automática.
- Camada fiscal — integração com emissor de nota fiscal, tratando o duplo fluxo (nota da mercadoria pelo seller, nota da comissão pelo marketplace).
- Camada logística — cotação de frete por seller, geração de etiquetas, rastreamento, roteamento de sub-pedidos.
- Camada de automação e IA — curadoria assistida, triagem de onboarding, atendimento, antifraude.
- Infraestrutura — servidores, cache (Varnish, Redis), busca (Elasticsearch/OpenSearch), CDN, backups, monitoramento.
A infraestrutura de um marketplace precisa ser mais robusta que a de uma loja comum, porque o volume de dados (muitos sellers, muitos SKUs, muitos pedidos fragmentados) e o tráfego tendem a crescer rápido. Ter um ambiente gerenciado, escalável e monitorado é essencial. Muitos operadores preferem terceirizar essa parte com outsourcing de TI e infraestrutura em nuvem, garantindo uptime, performance e segurança sem montar um time de infra do zero.
Decisão: extensão de mercado x desenvolvimento sob medida
Você pode começar com uma extensão de marketplace pronta e customizar, ou desenvolver a camada de marketplace do zero. A escolha depende de:
- Complexidade das regras de negócio. Regras muito específicas (comissões complexas, fluxos fiscais peculiares) empurram para o sob medida.
- Time to market. Extensão pronta coloca no ar mais rápido.
- Orçamento. Sob medida custa mais no início, mas evita limitações depois.
- Escala planejada. Marketplaces que miram grande escala geralmente acabam substituindo partes da extensão por código próprio.
O caminho pragmático costuma ser: começar com uma base de extensão consagrada + customizações críticas (split brasileiro, fiscal, curadoria por IA) e ir substituindo componentes conforme o negócio amadurece. Um bom parceiro de migração e upgrade de Adobe Commerce sabe fazer essa evolução sem quebrar o que já funciona.
Métricas que importam num marketplace
Diferente de um e-commerce, o marketplace tem duas bases de "clientes": os compradores e os sellers. Você precisa medir a saúde dos dois lados.
Do lado do comprador:
- GMV (Gross Merchandise Value) — o valor total transacionado
- Taxa de conversão da vitrine
- Ticket médio
- Recompra e retenção
- NPS e avaliações
Do lado do seller:
- Número de sellers ativos (que venderam no período)
- Tempo médio de onboarding
- GMV por seller
- Taxa de churn de sellers
- Cumprimento de SLA de entrega
Do lado do negócio:
- Take rate (comissão média efetiva sobre o GMV)
- Receita de comissão
- CAC (custo de aquisição) de comprador e de seller
- Margem de contribuição por pedido
O take rate é a métrica-chave de monetização: é o percentual do GMV que vira sua receita. Um marketplace saudável equilibra um take rate sustentável com a satisfação dos sellers.
Erros comuns que afundam marketplaces
Depois de anos construindo e-commerce, alguns padrões de fracasso se repetem em projetos de marketplace:
- Subestimar o split e a parte fiscal. Tratar pagamento e nota fiscal como detalhe técnico de última hora. É o contrário: é fundação.
- Onboarding lento demais. Se leva semanas para um seller começar a vender, ele desiste. Automatize.
- Curadoria zero ou curadoria excessiva. O primeiro vira bazar; o segundo espanta sellers. Encontre o equilíbrio.
- Ignorar a experiência mobile. A maioria das compras acontece no celular. Vitrine e checkout precisam ser impecáveis no mobile.
- Não resolver o carrinho multi-seller de verdade. Frete e prazo confusos matam a conversão.
- Crescer sem infraestrutura. O marketplace escala, o servidor não aguenta, o site cai no pico. Planeje infra desde o começo.
- Não ter os dois lados. Marketplace tem o problema do ovo e da galinha: sem sellers não há produtos, sem compradores não há vendas. Estratégia de aquisição dos dois lados precisa existir.
Evitar esses erros é, em grande parte, uma questão de experiência de quem constrói. Um marketplace bem-arquitetado desde o início economiza fortunas em retrabalho.
Do zero à operação: o passo a passo resumido
- Definição de modelo. Puro, híbrido ou nicho? Comissão por venda, categoria ou escalonada?
- Regras de negócio. Comissões, SLAs, política de curadoria, contrato com sellers.
- Escolha da base. Magento 2 / Adobe Commerce + extensão de marketplace + customizações.
- Split e fiscal. Integração de gateway com split e emissor de nota fiscal no fluxo duplo.
- Painel do seller e onboarding. Cadastro, aprovação, gestão de produtos e pedidos.
- Logística. Cotação de frete por seller, etiquetas, rastreamento, roteamento.
- Curadoria assistida por IA. Triagem de catálogo e sellers.
- Infraestrutura escalável. Cloud gerenciada, cache, busca, monitoramento.
- Homologação. Testar todos os fluxos com sellers piloto e pedidos reais.
- Lançamento e crescimento. Estratégia de aquisição de sellers e compradores.
Se o seu ponto de partida ainda é um site ou uma loja em construção, faz sentido primeiro estabelecer uma base de e-commerce sólida — nossa página de criação de sites e o Magento Express mostram como sair do zero com estrutura profissional antes de adicionar a camada de marketplace.
Perguntas frequentes
Quanto custa criar um marketplace próprio?
O investimento varia muito conforme a complexidade. Um marketplace baseado em Magento com extensão de mercado e customizações essenciais (split, fiscal, curadoria) tem um custo inicial de desenvolvimento, mais infraestrutura mensal e custos de gateway. Marketplaces de nicho com escopo enxuto são bem mais acessíveis que plataformas generalistas de grande escala. O melhor caminho é definir o escopo mínimo viável e solicitar um orçamento baseado no seu modelo específico.
Magento 2 e Adobe Commerce servem para marketplace mesmo?
Sim. Magento 2 (a versão Open Source) e Adobe Commerce (a versão paga da mesma plataforma) têm arquitetura modular, multiestoque nativo e APIs que os tornam excelentes bases para marketplace. A camada multi-seller é adicionada via extensões e desenvolvimento sob medida, sem comprometer a capacidade de atualização do core.
Como o dinheiro chega até os sellers automaticamente?
Por meio do split de pagamento. No momento em que o comprador paga, o gateway/adquirente divide o valor conforme as regras configuradas: a comissão fica retida para o marketplace e o restante é creditado na conta do seller, respeitando prazos de liquidação. Isso exige que cada seller tenha uma conta de recebedor no gateway, configurada no onboarding.
Preciso de estoque próprio para ter um marketplace?
Não. No modelo de marketplace puro, todo o estoque é dos sellers — você apenas intermedia. No modelo híbrido, você combina estoque próprio com produtos de terceiros. A vantagem do marketplace é justamente monetizar sem imobilizar capital em mercadoria.
Como faço a curadoria sem um time enorme?
Automatizando a triagem. Ferramentas de IA revisam fotos, descrições e categorização em escala, sinalizando apenas os casos que precisam de olho humano. Isso permite manter qualidade alta mesmo com milhares de produtos, sem inflar o time de curadoria.
Quanto tempo leva para colocar um marketplace no ar?
Depende do escopo. Um MVP de nicho, com base em extensão consagrada e integrações essenciais, pode ir ao ar em poucos meses. Plataformas mais complexas, com fulfillment próprio e regras sofisticadas, levam mais. Começar enxuto e evoluir é quase sempre a estratégia mais inteligente.
Conclusão
Criar um marketplace próprio é uma das jogadas de negócio mais interessantes do e-commerce atual: você monetiza tráfego e confiança de marca sem carregar todo o estoque e todo o risco. Mas por trás da vitrine única existe uma engenharia real — onboarding de sellers, split de pagamento no padrão brasileiro, curadoria de catálogo, logística multi-seller e uma infraestrutura preparada para escalar. Fazer isso bem é a diferença entre um marketplace que cresce de forma saudável e um projeto que trava na primeira dezena de vendedores.
O Magento 2 / Adobe Commerce oferece a base técnica ideal, e a combinação com automações de IA para curadoria e onboarding torna a operação escalável sem inflar custos. O segredo está em arquitetar cada camada — pagamento, fiscal, logística, curadoria — com quem já passou por esse caminho.
Na Inventando Sites, construímos e evoluímos plataformas de e-commerce e marketplace em Magento desde 2004, em São Paulo. Se você está avaliando transformar sua operação em um marketplace ou começar um do zero, entre em contato e peça um orçamento. Vamos mapear o modelo, o split, a curadoria e a infraestrutura certos para o seu negócio — e colocar seu marketplace no rumo do lucro.